terça-feira, 9 de agosto de 2022

FLAMENGO E CORINTHIANS, A LÓGICA E AS BATATAS...

 

                                                  PEDRO MARCOU O GOL DA VITÓRIA

O Flamengo fez mais do que o necessário para desclassificar o insosso time de Vitor Pereira.  Ganhou de novo do Corinthians. Aos incautos corintianos, cabia ainda uma tênue esperança de eliminar o rubro-negro no Maracanã. Aos céticos e adeptos da lógica, entretanto, não restavam dúvidas sobre qual equipe iria prosseguir na Libertadores da América.

Dorival armou seu time de maneira cautelosa, mas não abriu mão de algumas escapadas para o ataque. Numa dessas, Arrascaeta serviu Pedro, que empurrou a fez a pelota descansar nas redes. Não jogou como fizera em Itaquera, quando fez dois gols e poderia ter assinalado outros dois, o que não seria nenhuma novidade.

Diante das circunstâncias, o treinador do Flamengo fez uma opção inteligente, pois expôs muito pouco sua zaga ao inoperante ataque corintiano e avançou sem atropelos nem pressa. Boa estratégia para desgastar menos seus atletas.

Abismo pode ser um exagero para dimensionar os níveis que separam os rivais. Todavia, pode-se vislumbrar uma pirambeira, no mínimo, que desnivela os dois contentores. A balança de qualidade e organização tática pesa muito a favor dos cariocas, inegavelmente.

Não é demérito algum perder para o onze comandado por Dorival Junior. Aconteceu a lógica. 

Ao Corinthians, como se diz no futebol, resta "virar a chave'. Aliás, são duas: no Brasileirão e na Copa do Brasil, competições de batalhas renhidas. 

 Pela Copa do Brasil, quando terá o organizado Atlético de Goiás pela frente, tentará devolver o placar do primeiro jogo. Pode ser que aconteça, pois joga em Itaquera, onde normalmente cresce bastante de produção. Mas não será uma tarefa risonha para o Timão, todos sabem. Muitos suores serão vertidos em campo. Lágrimas poderão banhar os rostos, ao final. As faces dos derrotados terão um pranto amargo. 

Os olhos dos vencedores, no entanto, serão molhados por doces suores e algum pranto feliz, quiçá escondido. 

"Ao vencido, ódio ou compaixão; ao vencedor, as batatas..." (Machado de Assis - Quincas Borba)

Nissimiel






sábado, 6 de agosto de 2022

JÔ SOARES - UM ÍCONE

                                           JÔ SOARES E O SEXTETO - UM PARADIGMA


A parte física, inexoravelmente, retornará ao pó de que são constituídos os seres vivos. Óbvio, porém necessário, é lembrar a curta existência dos seres humanos. 

Muitos jactam-se de seus bens materiais, da beleza efêmera e da inteligência que possuem, mas se esquecem de que a origem de tudo que "possuem" advém de talentos que lhes foram dados.

Desenvolver as habilidades inatas, portanto, é algo meritório e intransferível.  Muitos talentos não são multiplicados e perdem-se nos caminhos medíocres que as pessoas teimam em trilhar. Para os que creem, o Livro Sagrado ensina que não se devem enterrar os talentos. Urge que sejam, no mínimo, dobrados. A parábola de Jesus, como sempre, é exata. 

 Aos não crentes, a Vida ensina a multiplicar seus capitais culturais, financeiros e sociais. Por mais que os acomodados refutem a ideia, aos humanos compete crescer, usando seus dons, talentos e habilidades.

Jô Soares foi o típico semeador e multiplicador de talentos. Inteligente e estudioso, escrevia e criava personagens interessantes. Nos bons e nem tão distantes tempos em que o odioso politicamente correto não ditava as regras do humor e das falas livres do cidadão, ele interpretou tipos inesquecíveis que hoje não passariam no crivo dos chatos de plantão, que veem preconceito e racismo em praticamente todos os tipos de humor.

Infelizmente, o "Gordo" aderiu à hipocrisia reinante de muitos artistas milionários, que pregam igualdade aos cidadãos comuns e riqueza aos "mais iguais" (pois é, Orwell...) como ele, de vida nababesca e posição social incomparável aos que vivem à margem da opulência dos endinheirados.

Longe de se hostilizar a fartura e o capital de quem tem, por certo, posto que viver bem é desejo de quase todos. O que se deve repreender é a defesa de igualdade ao povo (na esteira da quase indigência...) enquanto se locupleta da condição do "porco napoleão, "mais igual" do que os outros (Orwell, de novo, uma boa recorrência...)

O posicionamento político de Jô Soares não pode, entretanto, invalidar sua contribuição à cultura do Brasil, refletida em livros, artigos e personagens. 

Arguto e inteligente, fazia de suas entrevistas verdadeiros shows, mesmo com convidados que pareciam nada ter a entregar. Um ícone, imitado por todos que se dispuseram a seguir o modelo de programa que ele consagrou na televisão brasileira...

Nissimiel

O

quarta-feira, 3 de agosto de 2022

SOBRE LIBERTADORES E SUL-AMERICANA

 

                                            AS COBIÇADAS COPAS DA AMÉRICA DO SUL

Como era esperado, o time nordestino não permitiu que o anfitrião desenvolvesse um futebol capaz de abrir uma vantagem expressiva para o jogo de volta no Castelão. 

É de bom tom dizer que o futebol do tricolor paulista não encanta quem gosta de futebol bem jogado. 

Sua fanática torcida, no entanto, vem lotando o Morumbi e fazendo com que vença a maioria dos jogos disputados no Cicero Pompeu de Toledo.

Time bem armado, o Ceará deixou a disputa em aberto, sofrendo apenas um gol. Poderiam ser dois, caso Calleri tivesse convertido o pênalti sofrido por ele. Mas "Inês é morta", diria o escritor. Sigamos. 

Na próxima semana, o desfecho dessa guerra. Como sua zaga titular vem dando conta do recado, pode ser que a equipe de Ceni segure o bom time do Ceará e consiga uma classificação. O treinador Marquinhos Santos deve mandar o Vozão para cima do adversário na próxima semana.

Já em Itaquera, o Flamengo não deu oportunidades ao Corinthians de ganhar a peleja. Apenas os fanáticos não percebem a diferença abissal entre as duas equipes. O time do Rio fez dois e poderia ter marcado mais gols, caso tivesse apertado mais a confusa defesa paulista.

Não se pode dizer que a fatura esteja liquidada, afinal, trata-se de um esporte que costuma aprontar travessuras.  Tudo indica, todavia, que a equipe de Dorival Junior deve confirmar a classificação no Maracanã lotado.

Atlético e Palmeiras jogaram em Minas onde o time das Alterosas começou a partida a todo vapor, sufocando os comandados de Abel Ferreira e dando a impressão de que iria a São Paulo com um placar bem tranquilo para carimbar a passagem para as semifinais.

O que se viu, entretanto, foi a sorte, de que Abel tanto se queixa, bafejar a seu favor. Escapou de uma derrota acachapante e conseguiu um empate que não refletiu o que foi a partida, mas que fará toda a diferença na volta. 

Em seu estádio, o Palmeiras cresce assustadoramente. Dificilmente deixa escapar a vitória. 

O Galo acreditou que poderia fazer mais gols e abriu a guarda, o que normalmente é fatal quando se joga contra uma equipe pragmática e bem treinada como o Verdão. Mesmo num dia muito ruim, em que jogou abaixo de sua capacidade, conseguiu um empate heroico.

Nissimiel



segunda-feira, 1 de agosto de 2022

FLUMINENSE, UM DOS FIOS DO CIPOAL...

                                           EMARANHADO DE EMOÇÕES, NOSSO FUTEBOL...


 Não é de hoje  que o Brasil padece de um mal que atinge a maioria dos clubes de futebol: o tal "futebol de resultados", uma praga que  ameaça a capacidade criativa  dos atletas. Claro que todos os clubes precisam de capital e de títulos. Não podem prescindir disso. Os investimentos são altos e quem injeta seu dinheiro exige retorno, o que faz parte do mundo dos negócios. As empresas, além da visibilidade, desejam, por óbvio, também associar sua marca aos vencedores. 

Pois bem. Os bons resultados e o futebol bem jogado não deveriam ser uma contradição. É perfeitamente possível que a arte e o lucro sigam pela mesma trilha, sem contendas. É desejável, inclusive, que assim o seja.

O cipoal do futebol, que amarra a mediocridade, a violência e o discurso "vencedor", comporta também alguns fios de esperança,  que são puxados por alguns sonhadores. Estes insistem que a bola deve ser tratada com carinho para rolar sem solavancos pelo palco verde, até furar a linha fatal onde desperta o grito alucinado do gol. Para muitos, são lunáticos, mas para quem ama o bom futebol, são lufadas de beleza para o maltratado esporte nacional.

Sim, ainda há alguns que teimam em desenrolar os frágeis fios, mesmo sob a resistência dos emaranhados que se torcem para sufocar a tenuidade da esperança.

O Fluminense tem um dos "lunáticos" do futebol que a fragilidade da linha ainda sustenta, Fernando Diniz.  Que outras pontas sejam amalgamadas à esperança dos poucos sonhadores, fortalecendo a luta contra as cordas da mediocridade...

Nissimiel

sexta-feira, 29 de julho de 2022

SOBRE A COPA DO BRASIL - QUE LÓGICA COMANDA O FUTEBOL?




Os analistas previam a classificação do Corinthians contra o Atlético de Goiás, o que pode até ocorrer, já que os goianos virão a São Paulo enfrentar o Timão, sempre muito forte quando atua em seus domínios.

Antes da bola rolar, poucos acreditavam numa vitória do Atlético, mesmo a partida sendo na casa do Dragão. 

O que se viu, todavia, foi uma partida em que o time local tomou a iniciativa, fez dois a zero e minou as poucas chances que um atordoado Corinthians tentou criar.

Não se deve duvidar da capacidade do alvinegro de devolver o placar que sofreu em Goiás, mas o onze comandado por Jorginho está bem armado e vai dificultar as coisas em Itaquera.

O Flamengo iniciou a guerra pela classificação enfrentando o pragmático Athlético de Felipão. Como faz parte de seu script, Scolari levou ao Rio o medo de perder e seu já consagrado estilo horroroso de praticar futebol, a fim de escapar de uma derrota no Maracanã. Intento alcançado, o Furacão vai tentar derrotar os cariocas no sul.

Foi um evento marcado por pancadas e pela leniência da arbitragem, que conseguiu desagradar aos dois lados, tarefa que contou com o exótico VAR à brasileira, protagonista de diálogos no mínimo engraçados entre os assistentes e o soprador de campo. 

Nenhum dos dois treinadores envolvidos, todavia, achou graça da patacoada eletrônica.

Na casa do Fortaleza, uma partida interessante, com a equipe da casa tentando fazer um bom resultado contra o Fluminense. O time carioca, todavia, está cada dia mais entrosado e perigoso, sob os auspícios do sonhador Fernando Diniz, que parece próximo do equilíbrio entre o jogo bonito e o resultado de que precisa. 

Alvissaras! Que o modorrento esporte que se pratica no país seja suplantado pela sonho "diniziano"...

A derrota do Fortaleza em casa vai obrigá-lo a sair para o jogo no Rio, o que lhe pode ser fatal. Diniz deve montar uma arapuca, tocando a bola, à espera de brechas que espera abrir para matar a partida.

Com Ganso e Cano em fase auspiciosa, o Tricolor das Laranjeiras pode liquidar a fatura.

No Morumbi lotado, o São Paulo penou para vencer o América mineiro, que perdeu um pênalti, cometido pelo contestado Thiago Couto. O que poderia ser uma noite tenebrosa para o goleiro, transformou-se numa inesquecível epopeia, ao defender a penalidade.

Não será fácil, no entanto, a missão Tricolor de superar os americanos em Minas, posto que Wagner Mancini montou uma equipe coesa e rápida, capaz de dominar a peleja em momentos cruciais, como ocorreu no Morumbi. Um empate talvez fosse o resultado mais apropriado. 

Devido ao tempo entre as partidas de ida e volta, a disputa está aberta. Tudo pode acontecer, inclusive a lógica. Depois dos resultados de ontem, resta a pergunta: qual é a lógica que rege o futebol? 

Aguardemos, pois...

Nissimiel


 

sexta-feira, 15 de julho de 2022

1SP X 0 + 2PAL 1= CLASSIFICAÇÃO TRICOLOR - UMA EQUAÇÃO POSSÍVEL...

 




                                                  SEMPRE PODE HAVER VARIÁVEIS

As variáveis não indicavam que o São Paulo pudesse resolver a equação a seu favor, mas os números não podem padecer de "síndrome de pinóquio". Ao contrário, provam a verdade incontestável de uma luta renhida em que a balança final das penalidades pendeu para o lado tricolor.

O Palmeiras, favorito aos títulos que disputa, imaginou que nem precisaria usar a matemática a seu favor. Quase tudo indicava que o xis da questão seria a classificação verde à fase seguinte da Copa do Brasil. 

Tal qual a final do Paulista, O Palmeiras eliminaria o rival, até com sobras, como ocorreu  na final do Paulistão. A se julgar pela superioridade do Verdão, eram favas contadas.

Numa arena lotada, com doze minutos de jogo, o placar apontava dois gols de vantagem. Teve-se a nítida impressão de que a goleada não tardaria, repetindo o vexame a que os tricolores foram expostos há pouco tempo. Um pesadelo recorrente diante da qualidade palmeirense.

Pois é. A equação muito simples estaria solucionada. X seria igual a Palmeiras. 

Mas nem sempre o melhor sai vitorioso. Essa é uma das razões  do fascínio do futebol. Surgiram, então, as variáveis. Elas podem desmoronar  favoritos. Felizmente, para enriquecer discussões e criar , com licença, mais variáveis...

E foi o que ocorreu. A perda de um pênalti por Veiga esfriou os ânimos alviverdes e alentou os visitantes, que alteraram o placar e levaram a decisão para a fatídica marca da cal.

Jandrei, que já havia impedido gols adversários durante o tempo normal, mostrou que sua noite não foi uma variável aleatória. Defendeu duas vezes e garantiu a classificação do São Paulo. 

Abel Ferreira, sempre relutante em aceitar virtudes alheias e  afeito aos "poréns" que ele contrapõe às derrotas, adicionou outra variável à equação: sorte.

Claro que não se pode excluí-la  dos jogos de futebol, mas não se deve tirar as virtudes do brioso Tricolor, que acrescentou outras letras à sua conta: superação multiplicada por eficiência.

Se nem o Príncipe* pode prescindir da "fortuna", por que o Tricolor dela abriria mão? Some-se a ela a indispensável "virtu".

Fecha-se, assim, a equação...

Nissimiel

* Referência a Maquiavel.



domingo, 10 de julho de 2022

FERNANDO DINIZ, UM MOICANO. MAS NÃO O ÚNICO, ESPERA-SE...

 

                                                DINIZ, UM DOS ÚLTIMOS SONHADORES



Os jogos do Fluminense têm sido muito agradáveis de se ver. Eles possuem a marca de seu treinador, com passes rápidos e "marcação alta", como se convencionou chamar o antigo "abafa". O jogo contra o Ceará não foi fácil, pois o time nordestino é bem entrosado, o que impediu o time do Rio de praticar seu melhor futebol. Todos os adversários encontrarão no "Vozão" um obstáculo enorme, posto que sua peças estão bem dispostas no tabuleiro. É um xeque-mate glorioso a quem o consegue...

Fernando Diniz, um dos últimos moicanos, conduz sua tribo por caminhos que podem ajudar a elevar o futebol brasileiro, tão pragmático quanto horroroso, à redenção. Como todos os sonhadores, o treinador do Fluminense sofre alguma rejeição e até mesmo escárnio dos que se julgam os detentores de todas as estratégias e táticas do engenhoso esporte bretão.

Ele persiste, entretanto, apesar do tortuoso e espinhoso caminho, subindo íngremes montanhas, moicano que é, derradeiro que se anuncia, corajoso que se apresenta.

Claro que os céticos lembrar-se-ão do fatídico campeonato perdido pelo São Paulo, atribuído por muitos à teimosia de Diniz em não jogar a bola "para o mato, posto ser campeonato" e ao desentendimento com alguns jogadores, o famoso "perder o vestiário", no jargão futebolista.

Se foram essas a causas, espera-se que o treinador tenha aproveitado as críticas para crescer, como parece ter acontecido.

A comparação não são de nomes, mas circunstanciais, como se verá. Não devemos ter na mesa um cardápio de pratos tão distintos como Telê Santana e Fernando Diniz. São iguarias incomparáveis, por certo. Telê, também um amante do futebol bem jogado, tornou-se um dos maiores treinadores da história ao abrir mão de certas convicções e saber a hora de ser pragmático e tempo de conservar a beleza do futebol. 

Telê tornou-se um ícone no São Paulo ao acrescentar pragmatismo homeopático a seu jogo, conservando em doses cavalares o romantismo lírico do belo futebol que o consagrou. Tido como teimoso por muitos, soube mixar estrondos da bola ao mato com sons de poesia pura.

Como a vida é um eterno aprendizado, espera-se que  Fernando Diniz tenha superado suas mazelas.  Chagas fechadas, o comandante do Tricolor das Laranjeiras pode agora mesclar seu trabalho, para que tenha doses ínfimas e necessárias de realismo e ingredientes à farta de romantismo moicano, que escape do mundo modorrento em que se transformou o futebol...

Nissimiel